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4 passos para dominar a ansiedade


domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ela já é conhecida de todas nós, mas aparece com mais força quando começa a correria de fim de ano. Para não cair nessa armadilha e conseguir realizar tudo o que precisa sem ter um colapso, aprenda a domar esse sentimento

por Marjorie Umeda

Viver com a mente agitada, aflita com o que pode acontecer entre o agora e o daqui a pouco e com a sensação de que alguma coisa está errada. Sentir a respiração acelerada e o coração batendo mais forte. Todo mundo já passou por isso.

Por mais incômodo que seja, não há mal em experimentar um pouco de apreensão e expectativa em momentos específicos, como aquele que antecede um novo trabalho



“Na dose certa, a ansiedade nos impulsiona e nos ajuda a buscar soluções para os contratempos”, diz Leonardo Gama Filho, psiquiatra, chefe da psiquiatria do Hospital Municipal Lourenço Jorge, no Rio de Janeiro. O problema aparece quando, dia após dia, sem um motivo aparente, você é vítima desses sintomas.

Sentir um misto de medo e agitação tem o seu valor e garantiu a evolução da nossa espécie. “No tempo das cavernas, por exemplo, a ansiedade sinalizava que era hora de tomar uma atitude – se defender ou atacar”, explica Mariângela Savóia, psicóloga do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Nos dias de hoje, entretanto, o risco iminente de ser surpreendida por um animal selvagem não existe mais, ainda assim, por causa das tarefas a cumprir e dos papéis a desempenhar, muitas de nós vivemos com a sensação de que o perigo está à espreita

Segundo dados do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, 25% da população tem, teve ou terá o transtorno de ansiedade – sendo que há três mulheres para cada homem com o problema. Esse quadro aparece quando o sentimento fica fora de controle e pode se manifestar na forma de fobias ou até mesmo como a síndrome do pânico. Os sintomas são fisiológicos (como taquicardia e falta de ar), comportamentais (quando você evita lugares e pessoas) e psicológicos (uma sensação de inquietude).

Entre uma leve apreensão e o transtorno diagnosticado, existe um estado intermediário – e é desse que vamos ajudá-la a sair. É aquela ansiedade que não compromete profundamente a sua vida, mas atrapalha as relações, porque você vive sob tensão. O desconforto aumenta sempre que se sente mais requisitada, como no fim do ano. Se está nesse estágio, calma, ainda dá para virar o jogo. Coloque em prática as dicas a seguir e passe a encarar a vida com mais equilíbrio!



1. E se...

A ansiedade sempre aparece quando você antecipa – tragicamente – uma situação. Como se uma voz interna criasse, incessantemente, versões cada vez mais complicadas da realidade. Num momento de crise, a ansiosa começa a pensar: “E se eu perder o meu emprego? E se eu não conseguir pagar o aluguel? E se eu for despejada?” Perceba: sempre que há um pensamento ansioso, capaz de alimentar sua mente com possibilidades assustadoras (e pouco prováveis de acontecer), a frase começa com e se... Nessa conversa interna, você superestima as conseqüências de um problema ao mesmo tempo que subestima a sua capacidade de lidar com ele. “É preciso reconhecer o perigo do discurso ‘e se’ para reassumir o controle da situação. Esse é o primeiro passo”, diz o psicólogo americano Edmund Bourne, autor do livro Acabe com a Ansiedade Antes Que Ela Acabe com Você, editora Gente. A etapa seguinte é desmontar racionalmente, frase por frase, todos os argumentos que estimulavam a sua inquietação.


Identifique os pensamentos distorcidos

Escreva em um papel tudo o que você fica se dizendo que começa com as palavras e se.


Avalie probabilidades
Seja sincera consigo mesma e veja qual é a probabilidade real do seu pensamento ser coerente com a realidade. Se você pensa, por exemplo, que pode perder o emprego por causa da crise econômica mundial, avalie qual é o risco disso realmente acontecer. Uma vez que ocorra, imagine qual é a possibilidade de você ficar sem teto do dia para noite. Faça esse questionamento com qualquer pensamento negativo que aparecer.


Coloque fé no seu valor
Olhe para sua capacidade. Se o pior acontecer, quem disse que não haveria chances de se reerguer? Se muita gente passa por isso, por que você seria a única a não reagir? Ao fazer esse exercício, consegue olhar com mais clareza para o presente e ter uma previsão menos ameaçadora do futuro mais próximo. Com isso, o nível de ansiedade diminui.



2. Respire certo!

Preste atenção na sua respiração agora. Quando você está ansiosa, respira mais rapidamente, com a parte de cima dos pulmões, de modo curto. Isso não acontece só durante uma crise de ansiedade, mas quando você anda preocupada demais. O problema é que, respirando assim, dificilmente consegue relaxar. “Exercícios de respiração são importantes porque é impossível acalmar os pensamentos com a respiração descontrolada”, diz a psicóloga Mariângela Savóia. Três minutos por dia, só três minutinhos (o tempo que você leva para fazer o exercício abaixo), trazem um efeito calmante que interfere no seu dia inteiro. Pode ser até menos – quanto estiver nervosa, pare e respire profundamente. Reservar um tempinho para prestar atenção na respiração, no movimento do seu tórax, tira o foco dos pensamentos e faz você se conectar também com o seu corpo. Isso, por si só, já a aproxima da realidade e tem um efeito muito relaxante.

- Sente-se em um local confortável.
- Coloque a mão sobre o abdômen.
- Inspire bem lentamente, tentando levar o ar para a parte de baixo dos pulmões – até sentir a mão apoiada no abdômen subir.
- Perceba que, ao inspirar, o abdômen se expande e o seu peito quase não se move.
- Expire – pelo nariz ou pela boca.
- Repita dez vezes. Para manter um ritmo lento e constante, conte até quatro para inspirar e também para expirar.



3. Seja flexível

Resiliência é uma palavra que está na moda, mas que nem todo mundo sabe o que quer dizer. É um misto de resistência e flexibilidade. Pense em um bambu no vendaval. Ele quase encosta no chão (flexibilidade), mas não quebra (resistência). E depois que o vento passa, volta para o lugar. “Ser resiliente é lidar bem com as adversidades do dia-a-dia. Você consegue fazer isso olhando para o fato em si, sem se ater ou se deixar levar pela emoção que ele causa”, diz a psicóloga Mariângela. Esse não é um passo fácil de ser dado nem é de execução imediata. Envolve uma mudança importante no modo como você aceita e reage a uma situação frustrante. Mas, uma vez que consegue ser mais flexível com a realidade, que nem sempre é como deseja, menor o risco de viver ansiosa. Veja abaixo as sugestões da psicóloga.


Ao ter um problema, olhe para ele
“Fazer de conta que uma situação desagradável não existe, só afasta mais você da realidade e também rouba tempo para resolver a questão da melhor maneira”, fala a especialista.


Foque sua atenção na situação
Independentemente da emoção que determinado contratempo traz a você, concentre seus esforços em buscar uma solução, em vez de se perder em devaneios, questionando o seu valor só porque tem uma adversidade.


Acredite que você está mais forte
Guarde cada problema resolvido como repertório para sua vida. Ninguém gosta de ter problemas, mas, se você passa por eles, sai mais forte e melhor preparada para os próximos – que sempre virão!



4. Rasge a fantasia de mulher-maravilha!

Em outras palavras, diminua a expectativa que você mesma coloca sobre os seus ombros de ser sempre mais e melhor. “A necessidade de ser perfeita em tudo gera muita ansiedade”, fala Leonardo. Isso tem a ver, claro, com as expectativas da sociedade em que vivemos, mas também com o discurso interno de cada um, que diz, por exemplo, que você não pode fazer ginástica porque precisa trabalhar mais e mais e mais. Para sair dessa armadilha, escolha em que papel você quer se dedicar mais agora – o que não signifi ca que não pode mudar de idéia depois. “A gente quer ser inteligente, rica, bonita, bem relacionada, ótima mãe, filha exemplar, esposa nota 10 e funcionária do mês. Precisa priorizar onde você quer ser boa mesmo”, diz Cecília Russo Troiano, psicóloga, de São Paulo, e autora do livro Vida de Equilibrista – Dores e Delícias da Mãe que Trabalha, editora Cultrix. Quando você aceita que não dá para ser ótima em tudo o tempo todo, espera menos de si mesma e deixa de ser vítima fácil dessa apreensão.






Fonte: Revista BOA FORMA

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